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My Books News

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Terra Sonâmbula - Mia Couto

Beach_cleaning


JotaCartas 


 


Apesar de já ter terminado a leitura há algum tempo, este livro tem andado comigo, como um tardio travo na boca. Infelizmente, não pelas melhores razões. Perdura pelas imagens marcantes de um sofrimento que é tangível: os horrores de guerra, campos refugiados, fome, o desespero. 


 


Terra Sonâmbula situa Moçambique em 1975, o ano da sua independência de Portugal. Destruído por anos de guerra colonial, continuará em guerra civil até aos anos 90. 


 


A obra divide-se em duas narrativas paralelas (capítulos alternados). Começamos com o velho Tuahir e o jovem Muindinga a caminhar por uma estrada morta, que os leva até um autocarro queimado, onde se decidem instalar e fazer dele o seu refúgio. 


 


O autocarro está ainda cheio de corpos carbonizados e no seu exterior, um cadáver baleado, que tem junto a si uma mala com vários cadernos que constituem o diário de Kindzu (segunda narrativa) e que o jovem Muindinga vai lendo a Tuahir.


 


Tuahir resgatou o jovem Muindinga num campo de refugiados, onde já não esperavam que vivesse como resultado de comer mandioca, já que algumas variedades são tóxicas, especialmente quando consumidas cruas. Tal leva à morte ou danos cerebrais.


 


 


O jovem Muindinga não tem memória do seu passado e assim, vive o passado de Kindzu, enquanto sonha em encontrar os seus pais.


 


Mas a Terra Sonâmbula, em torno do autocarro, vai mudando e ambos acordam para uma nova paisagem, a cada dia. E assim Mia Couto nos vai levando pela história e cultura de Moçambique, entre magia, feitiçaria e superstições.


 


Como referi inicialmente, o livro marcou-me, seja pela beleza luminosa da escrita como pela negra realidade que ilumina.  Marcou-me ao ponto de me sentir motivada para incluir, de forma muito mais intencional, literatura com origem em países colonizados por Portugal. 


 


Por falar em línguas...


 


O meu ponto de partida começou na língua portuguesa, mas até essa acaba por ser um símbolo colonizador. Em Moçambique, por exemplo, a língua portuguesa pode ser a oficial, mas entre as suas línguas nativas estão o macua, o tsonga e o sena (as mais comuns). E a leitura de livros africanos, em língua portuguesa, não deixam de introduzir nas suas obras a riqueza de outros vocabulários nativos.


 


Estas línguas nativas pertencem a uma família linguística (língua bantu) que abarca mais de 600 línguas, faladas por cerca de 300 milhões de pessoas (o português tem cerca de 280 milhões falantes). 

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