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My Books News

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Racismo no país de brancos costumes - Joana Gorjão Henriques

Tenho adiado fazer um texto sobre este livro porque temo não lhe fazer justiça. Se não lerem mais nada, saibam já que é um dos melhores livros de que li este ano.

 

Racismo no país de brancos costumes continua o trabalho de recolha de testemunhos que Joana Gorjão Henriques começou em Racismo em Português - o lado esquecido do colonialismo. Agora, contextualiza vozes de pessoas (com especial enfoque em afrodescententes) que sofrem as mais diversas formas de racismo em Portugal.

Os capítulos que dividem o livro são, precisamente, as áreas das suas vidas em que esse racismo se manifesta: justiça, nacionalidade, habitação, emprego e educação. Há ainda um capítulo sobre o colonialismo e outro sobre o activismo.

 

O livro começa com a seguinte frase: "No país dos brandos costumes pode haver racismo, mas ninguém é racista, porque racistas são os outros."

A autora diz ainda que o livro "não é um ensaio", ao que eu acrescento que é melhor que isso, são histórias de quem raramente tem voz e que essas devem ser ouvidas com atenção para aprender.

 

Há histórias de quem se vê nas malhas de uma justiça onde, segundo as palavras de um procurador, "há uma proactividade em relação a estes indivíduos". Negros recebem duas vez mais penas máximas que brancos pelo mesmo tipo de crimes. Também são mais penalizados em saídas precárias e na liberdade condicional.

Deviamos contar com a polícia. Mas eu quero estar longe deles. Mesmo que fosse culpado não deviam agir assim, não devia apanhar aquela porrada. Se eu fosse um "tuga" não tinha acontecido.

 

Um dos capítulos que me causou maior revolta, pela horrível injustiça, foi o capítulo sobre a nacionalidade em que tive consciência das barreiras que são colocadas aos jovens para ter uma vida condigna. Espero que a nova alteração à lei venha colmatar essa injustiça. Para não me repetir, remeto para este texto.

 

O capítulo sobre a educação tem testemunhos igualmente chocantes, desde manuais escolares com poemas em que é utilizada a palavra "preta" (2016), como situações inconcebíveis como a que cito, de uma escola primária:

Havia uma fila de portugueses, outra fila vazia a separar, e nós (negros) começavamos a partir da terceira fila. (...) Quiseram mostrar que o meu lugar era lá atrás. A mim estava reservada a construção, e não precisava de me esforçar muito.

Talvez vos surpreenda (como a mim) que a frase é de alguém que tem hoje 38 anos.

 

Considero o Racismo no país de brancos costumes um livro de leitura obrigatória, para quem deseja ser uma pessoa informada e motivada para contribuir para um país mais justo.

Duas novelas gráficas lidas: Guinea Pigs e Hélas

Aproveitei o NetGalley para ler algumas novelas gráficas que foram disponibilizadas, sem necessidade de aprovação prévia. Duas delas foram Guinea Pigs e Hélas.

 

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Guinea Pigs de Benacquista Tonino e Barral Nicolas

Esta é uma história de três personagens que se inscrevem como cobaias num teste farmacológico para um novo medicamento, em troca de uma grande quantidade de dinheiro. Em seus testes de admissão, eles escondem seus segredos: um tem perda de memória, outra apresenta-se como  artista, mas carece de competências artísticas, e um terceiro luta com a impotência (ou ao que parece).

A droga tem muitos efeitos secundários e a questão é se são bons ou maus.

O enredo da história é muito bom e envolvente. Eu realmente gostei muito, tanto que fiquei muito frustrada, toda vez que tive que parar de ler, por qualquer motivo.

No entanto, tive um problema sério com o uso de personagens parecida com diversos actores como Leonard Nimoy Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman.

Eu acho que é um truque muito desrespeitoso. Um artista é curador do seu trabalho. Usar sua imagem, sem permissão parece-me simplesmente errado.

Ainda assim, recomendo.

 

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Hélas de Hervé Bourhis,Rudy Spiessert e Mathilda

Helás apresenta-nos um mundo governado por animais, em que os seres humanos (uma espécie rara), são caçados.

Capturada por caçadores, a pequena Folha provoca agitação na classe política e científica do país. Um jornalista, Fulgence, e a jovem Leopoldine, uma estudante de ciências, tentam descobrir as razões do interesse que desperta e ajudar Folha a encontrar o seu irmão.

Eu gostei deste livro, a história é estranha e os desenhos são realmente impressionantes, mas o enredo da sociedade secreta, dos seres humanos versus animais, pareceu-me um pouco confusa.


Porém, pelos desenhos e alguns detalhes da história, que achei verdadeiramente surpreendentes, como os momentos em que se referem ao instinto animal, fizeram valer a pena.