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My Books News

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Lidos em 2019

Janeiro

1. Becoming - Michelle Obama [Audiolivro] WWW

2. Blad Blood - John Carreyrou [Audiolivro] WWW

3. O feiticeiro de Terramar - Ursula K. Le Guin E

4. Caniços ao vento - Grazia Deledda [#NobelWomen] B

5. Lavínia - Ursula K. Le Guin B

6. Alegria! Guia Ilustrado da Arte de Arrumar a Sua Casa e a Sua Vida, Marie Kondo

7. An Unconditional Freedom, Alyssa Cole WWW

8. O Misterioso Caso de Styles, (Hercule Poirot #1), Agatha Christie

9. Vasto Mar de Sargaços, Jean Rhys E

10. Fortaleza Digital, Dan Brown  E

11. História de um cão chamado Leal, Luis Sepúlveda  E

 

Fevereiro

12. 10 Segredos para Ser Seduzida por um Lorde, Sarah MacLean

13. A independência de uma mulher, Colleen McCullough B

14. Magnífica Sophy, Georgette Heyer B

15. Foco, Daniel Goleman B

 

Março

16. Manual para mulheres de limpeza, Lucia Berlin B

17. Admirável mundo novo, Aldous Huxley [releitura] B

18. Living the Simply Luxurious Life, Shannon Ables WWW

19. The Admiral's Penniless Bride, Carla Kelly  E

20. Thrifty Living: Frugal Tips for Living on Less, Valerie Fulton WWW

21/23. Saga, Vols. 1-3, Brian K. Vaughan e Fiona Staples [releitura]   E

24. Ecologia, Joana Bértholo B

25. A gente de July, Nadine Gordimer [#NobelWomen] B

26. O Cisne Negro, Phyllis A. Whitney   E

 

Abril

27/28. A cantora dos dragões 1/2, Anne McCaffrey  E

29. Os tambores dos dragões, Anne McCaffrey  E

30. Help Me! - Marianne Power  WWW

31. O passado é um país estrangeiro - Ali Smith  B

32. Beloved - Toni Morrison [#NobelWomen]  E

33. The missing girl, Shirley Jackson [contos]  E

 

Maio

34/35. O dragão branco 1/2, Anne McCaffrey  E

36. A sedução de Sophie ,  Kim Lawrence  E

 

Junho

37. A Proper Scandal, Esther Hatch WWW

38. A Coroa (Cristina Lavransdatter #1),  Sigrid Undset [#NobelWomen]   B

39. The mistress of Husaby (Cristina Lavransdatter #2),  Sigrid Undset [#NobelWomen]   E

40. A Cruz (Cristina Lavransdatter #3),  Sigrid Undset [#NobelWomen]   B

41. Edinburgh, Alexander Chee WWW

42. Maria não me mates que sou tua mãe, Camilo Castelo Branco   E

43. Nimona, Noelle Stevenson   E

44. Dentes de rato, Agustina Bessa-Luís   B

45. One night of passion, Erica Ridley WWW

46. Super fun sexy times, Meredith McClaren WWW

Admirável Mundo Novo (1932), Aldous Huxley

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Meditar longamente sobre as fraquezas literárias de há vinte anos, tentar remendar uma obra defeituosa para lhe dar uma perfeição que ela não tinha quando da sua primitia execução, passar a idade madura a tentar remediar pecados artísticos cometidos e legados por essa pessoa diferente que cada um é na sua juventude, tudo isto, certamente é vão e fútil. - Aldous Huxley, 1946

 

Publicado em 1932, o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley descreve uma sociedade futura (+600 anos) composta por uma sociedade por castas em que todos são felizes porque fazem aquilo, para o qual foram condicionados a gostar, desde o berço.

Aliás, Aldous Huxley previu a manipulação genética, numa verdadeira "fábrica" de gerar crianças, cada uma formatada para o papel que deverá desempenhar na sociedade, onde palavras como mãe e pai são abjectas e a poligamia e promiscuidade sexuais são encorajadas desde a infancia.

 

Nesta sociedade todos são "felizes", graças à toma de "soma", uma droga que afasta toda a tristeza. A cultura não existe e todos pregam ao deus do consumismo - Ford. 

 

À margem da vivência societária "perfeita", vivem alguns indígenas, numa reserva que não é mais que um zoológico das castas superiores, em que as pessoas continuam a viver em família e tribos.

 

Entre eles encontra-se um jovem estranhamente educado, que irá ser apresentado à sociedade, como uma espécie de curiosa mascote. A sua paixão são as palavras de um livro, nada mais que uma colectânea de Shakespeare.

 

Porém, a sua experiência neste mundo "superior" não será das melhores.

 

Vendo bem, parece que a Utopia está mais próxima de nós do que se poderia imaginar há apenas 15 anos. Nessa época coloquei-a à distância de seiscentos anos. Hoje parece praticamente possível que esse horror se abata sobre nós dentro de um século. Isto se nos abstivermos, até lá, de nos fazermos explodir aos bocadinhos.- Aldous Huxley, 1946

 

Eu adorei reler o Admirável Mundo Novo, com o Clube dos Clássicos Vivos, apesar do atraso. Até porque já almejava uma releitura que precedesse o Regresso ao Admirável Mundo Novo.

Gostei igualmente que a nova edição que li, tivesse uma introdução que o escritor escreveu em 1946, mais de 10 anos da 1ª publicação do livro e depois de uma 2ª Grande Guerra Mundial.

Com efeito, pensar neste livro antes do fascismo nazi, é surreal. E ver os acontecimentos históricos a desenrolarem-se deve ter sido uma vivência muito particular para A. Huxley.

 

Com ou sem regresso, este livro é inquestionavelmente um clássico a ler. A construção "do mundo" é fantástica e nem concordo com o autor (em 1946), que desejaria que o final tivesse sido diferente.

Manual para mulheres de limpeza, de Lucia Berlin

Já me sinto melhor.

No primeiro fim-de-semana de Março, não só terminei o Manual para mulheres de limpeza, da Lucia Berlin, como reli o Admirável mundo Novo, de Aldous Huxley (Clube dos Clássicos Vivos).

 

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“I exaggerate a lot and I get fiction and reality mixed up, but I don't actually ever lie.”
 

Manual para mulheres de limpeza, de Lucia Berlin é dos melhores livros que li. Ponto final.

 

Comecei a ler pela própria, saltando introduções e notas biográficas, que li no final. Foi realmente a melhor opção e recomendo o mesmo.

A autora mistura a dura realidade da sua vida, injecta-a de apontamentos de ficção e o resultado é uma escrita com humor, ironia, realidade e até brutalidade.

 

Nos vários contos, vamos sendo confrontados com toxicodependência, alcoolismo, pobreza, detenção, crueldade, amor, violência, abusos sexuais, resiliência, solidão.

É impossível ficar indiferente. Cada conto é um universo, negro nos contornos, mas vivido de forma apaixonada, inusitada e até chocante.

 

No final, fica-se com Lucia Berlin no coração.

 

“Time stops when someone dies. Of course it stops for them, maybe, but for the mourners time runs amok. Death comes too soon. It forgets the tides, the days growing longer and shorter, the moon. It rips up the calendar. You aren't at your desk or on the subway or fixing dinner for the children. You're reading People in a surgery waiting room, or shivering outside on a balcony smoking all night long. You stare into space, sitting in your childhood bedroom with the lobe on the desk... The bad part is that when you return to your ordinary life all the routines, the marks of the day, seem like senseless lies. All is suspect, a trick to lull us, rock us back into the placid relentlessness of time.”

 

Livro no meu radar:

Anoitecer no Paraíso, de Lucia Berlin 

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