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My Books News

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Natália Correia - A madona

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Natália Correia sempre foi uma personalidade pública que admirei pelo percurso: feminista, intelectual, poeta, ensaísta, romancista, promotora cultural, deputada, resistente do Estado Novo, editora condenada por ser instrumental em publicações como Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica Novas Cartas Portuguesas. 


 


Havia já lido alguns poemas, mas não me recordo de ter lido qualquer um dos seus romances. Talvez já lhe adivinhasse o grau de dificuldade. Ele existe, a leitura precisa de ser pausada e absorvida porque o nível de linguagem não é o básico e eu nunca fui muito fã de livros que utilizam fluxos de consciência.


 


Mas não posso dizer que a própria autora não me avisou, logo nas primeiras páginas:



É possível que estas palavras com as quais tardiamente traduzo os pensamentos que obscureciam a sua mente, soem como uma transposição poética. Mas as realidades psicológicas só se podem exprimir a rigor poeticamente porque, sob os factos da psique, palpitam os mitos. Falo portanto de sensações vivas que a minha própria experiência me permitiu decifrar, dando-me a certeza de que os mitos são incrustações da alma que os acidentes desta fazem surgir diante de nós.



 


Entre a aldeia de Briandos e as capitais europeias, vamos seguindo Branca, uma jovem virgem que, depois da morte do pai (na cama de uma prostituta) e com encorajamento da mãe, parte para a liberdade de uma vida parisiense, entre intelectuais e pseudo-intelectuais. Um deles é Miguel, com quem vive uma relação amorosa, mas infeliz. Essa infelicidade leva-os para Londres onde conhece outro amor: o Anjo, um dinamarquês.


 


Com nenhum deles encontra o amor sublime e avassalador que tanto parece almejar e parte sozinha pela Europa. 


 



E novamente o frio da partida. A insónia das gares. O amarrotar da camurça do tempo. Porque parto se a outra coisa que eu desejo não são países? Se continuo a desfolhar-me ao vento das viagens que restará de mim? A minha vida parou e eu continuo. 



 


Ao voltar a Briandos, procura-se em Manuel, um homem simples, primordial que julga ser a sua salvação, tanto da vida em permanente tristeza e insatisfação.


 


É um livro sobre os lugares que a sociedade atribui à mulher (aqui nos anos 60) e as lutas internas que estas têm na suas tentativas de libertação. 


 



As mulheres precisam de dinheiro para serem pessoas, mais que simplesmente mulheres. Acima de tudo estimo que sejas uma pessoa. Quero que sejas aquilo que eu não fui - e suspirava. - Para que não te aconteça...


Ela não falava para mim. Disputava-me os desígnios de meu pai que mesmo além do túmulo a empeciam. Falava na esperança de que ele a ouvisse e os seus ossos rangessem de impotência dentro do cofre de mogno que guardava agora o mísero espólio de toda a sua arrogância.


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