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My Books News

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Ler em quantidade

Li com enorme prazer o texto do blog sayhellotomybooks que, aliás, tem um dos títulos mais divertidos para um blog de livros que já encontrei (e já lho havia dito).


 


E no espírito da contradição, querendo provar que é possível ter uma discussão sobre um tema sem que isso seja um julgamento pessoal (faço minhas as palavras do último parágrafo do seu post), venho aqui fazer a apologia da quantidade.


 


Desde logo, discordo do quantidade vs. qualidade, na medida em que incorpora imediatamente um julgamento de que menos é melhor e pode não ser; e claro, que ler mais é perder qualidade.


 


Não acredito que quem lê menos, necessariamente leia melhor. Pode simplesmente ler menos. Aliás, estive quase três anos sem ler um livro, um verdadeiro hiato literário... não foi melhor. 


 


A minha média é puramente psicológica - 52 livros por ano. Mas não é um verdadeiro número a atingir, é uma espécie de lembrete de que me estou a distrair com o que não devo - no meu caso, o buraco negro que é a internet. 


Mais, para mim, 52 livros nem são necessariamente livros, podem ser calhamaços de 600 páginas como um Moby Dick, mas também pode ser um conto ou uma novela gráfica - é aquilo que eu desejar ler.


 


Uma meta, à partida, pode ser uma excelente ferramenta para nos motivar para darmos prioridade aos livros em detrimento a outras actividades que considerarmos menores. Cada qual usa as estratégias que melhor servem a sua vida. 


 


Partir do pressuposto que todos que criam um número estão a competir, parece-me um julgamento precipitado. É presumir que todas essas pessoas estão a olhar para o lado, a ver o que os outro lêem, seja para fazer melhor ou questionar a "qualidade".


O número que criei fi-lo para mim, talvez por isso não tenha sequer me apercebido dos números dos outras/os. Mas agora que penso nisso, tenho imensa curiosidade em ver estatísticas sobre médias anuais de livros lidos em Portugal. Tenho que procurar isso.


 


Livros grandes, pequenos eu papo-os todos


Protesto veementemente, a bater com o pé no chão, a quem disser que livros pequenos são "menores". As minhas provas:


- uma grande parte dos livros de poesia têm menos de 100 páginas (ora benham cá dizer-me que um livrinho do Eugénio de Andrade não é bom, que eu já vos digo...);


- há grandes obras literárias que têm menos de 100 páginas, por exemplo:



  • Se tivesse de recomeçar a vida, Raul Brandão

  • Loucura, de Mário Sá Carneiro

  • Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll

  • Cândido, Voltaire

  • O médico e o monstro, Robert Louis Stevenson

  • O principezinho, Saint Exupery

  • A virgem e o cigano, DH Lawrence

  • A fera na selva, Henry James

  • Bestiário, Júlio Cortazar

  • ... 


... apenas uma pequena amostra das leituras, que me recordo, e que têm menos de 100 páginas. Ora, um livro de 100 páginas pode ler-se num dia (até em menos de 1 dia). O mesmo acontece com um de 200 páginas... e há tantos clássicos magníficos até 200 páginas.


 


E não é sacrifício nenhum... eu não estou a abdicar de tempos de lazer para ler. LER É O MEU LAZER. 


São 20:50 horas. Cheguei às 18h00 a casa, pus a descongelar carne picada estufada, liguei o aquecedor no quarto, deitei-me na cama com uma manta nos pés e um livro na mão. É agora que vou levantar-me fazer o jantar (cozer massa e aquecer a carne) e é para aqui que volto. Só liguei o computador porque me tinha esquecido de enviar um email relacionado com o trabalho. Lembrei-me do post que li esta manhã e pimba... mais uma hora no computador.


 


Nunca, para mim, ler foi uma tarefa (a não ser no trabalho), ou algo que me priva de coisas melhores. Ler é um prazer e por isso, quando posso, aproveito o tempo livre para ler. 


 


Há quem prefira sentar-se ao televisor ou abrir o Facebook, eu prefiro um livro. E também vejo televisão e, como comprova uma aplicação que tenho para medir o meu tempo de internet, também surfo pela web, vejo o Bored Panda, vejo muito youtube, entre outros.


 


Se calhar está aí o problema da pouca leitura: colocar os livros como algo que nos priva de tempo de lazer. Devíamos todas/os ler mais, muito mais.


 


É mesmo preciso um período de "digestão" entre livros?


Não acho. Aliás, geralmente há livros que me levam a outros livros. E até há livros que é uma experiência muito interessante ler em simultâneo. 


Estou a ler em paralelo duas colecções de história: uma do Porto, a outra sobre de mulheres portuguesas. Vou lendo em simultâneo para ligar o período histórico de ambos os livros. 


Neste momento, estou a ler A de Açor de Helen Macdonald, que é um livro de memórias mas também de meditação literária - os livros mencionados estão todos a entrar na minha lista de leituras. Aliás, se tivesse um dos livros mais mencionados, seria brilhante fazer uma leitura em simultâneo - há casos e casos.


 


Quando me dá para ler Agatha Christie, não só me acontece ler um por dia, como posso ler vários de enfiada. Não é porque quero atingir um número, mas porque não consigo/quero parar.


 


Não costumo ler mais que um livro de ficção em simultâneo, mas frequentemente tenho livros de bolso com contos, novelas ou poesia, na carteira - bons transportar para aproveitar pequenos momentos. E nessas alturas, leio o calhamaço em casa e os levezinhos na rua. 


 


Já li/ouvi mais de que uma vez esse questionamento: e as personagens não se confundem? Mas curiosamente nunca ouvi essa pergunta a ser feita a quem vê muitas séries televisivas.


Já agora, a minha resposta é não. Eu não confundo o Camilo Castelo Branco da Fanny Owen de Agustina Bessa-Luís (leitura de Janeiro) com o Stuart (que está a ajudar a Helen a adestrar o açor... porque confundiria?)


 


Quem lê muito, lê muitos livros maus


 


Muitos ou poucos, quando pegamos num livro corremos sempre o risco de apanhar um livro que "não é bom" (quem julga?) ou que não gostamos ou que simplesmente não é o momento certo na vida para o ler. 


No meu hiato literário abandonei Catcher in the Rye. Não é bom? Estava a ler pouco, e nem por isso li com qualidade. Li-o mais tarde, precisamente quando voltei a ler mais - senti-o e compreendi-o e adorei o livro.


 


Das duas uma, ou ficamos pela lista de maiores e melhores e reduzimos os riscos de ler "maus livros" (afinal de contas há uma razão pela qual os clássicos chegaram a clássicos) ou arriscamos diversificar e descobrir novas leituras. Corremos o risco de ler um livro mau? Sim, mas também podemos fazer descobertas assombrosas.


 


Quem não arrisca, não petisca.


 


Não uma lista que me guiasse para As novas cartas portuguesas e outras obras que li das "três Marias", mas o assombro desse livro fez-me "arriscar" a descobrir outros livros que não gostaria, ou gostaria menos, dessas autoras. É o meu livro preferido deste ano e considero-o uma das obras mais brilhantes e mais esquecidas da literatura portuguesa.


 


Foi num impulso - porque ouvi qualquer coisa num vídeo - que li O quinze, de Raquel Queiróz, um pequeno livro que é um gigante da literatura brasileira, mas que é também um dos livros que mais me impressionou em toda a minha vida.


 


Eu prefiro ler 50 livros e não gostar de 5, que apenas ler 5 e gostar de todos. Mais, acho que só a ler alguns livros maus saberemos realmente o que é bom. Acho que limitar as leituras, porque optamos pelo seguro e evidente, não saindo da nossa zona de conforto, é que poderá ser um afunilar de horizontes. 


 


E não me falem de livros rápidos, por amor da santa...


Lá porque se lê rapidamente tem de ser mau? Mas porquê?! 


Ofereço como prova o livro O Assassinato de Roger Ackroyd, um romance policial de Agatha Christie, consensualmente considerado uma obra prima da literatura inglesa e que se lê numa penada. 


Um mais recente: Gone Girl é um brilhante thriller psicológico e não consegui pousar até o acabar de ler (li num fim de semana).


 


Por tudo isto, concluo que não concordo que a quantidade seja sinónimo de perda de qualidade.


Até porque, isso implicaria um julgamento da quantidade ideal, que irá depender de factores tão diversos como a velocidade de leitura de cada um, o tempo disponível, o tempo que estão dispostos a dispor para ler, o tipo de livros, o número de páginas...


 


Em suma, leiam muito!

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