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My Books News

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Juro que Almeida Garrett tem piada!

No capítulo vigésimo sexto do Viagens na mina terra, acabei a rir à gargalhada:



Pouco a pouco amotinou-se-me o sangue, senti baterem-me as artérias da fonte... as letras fugiram-me do livro, levantei os olhos, dei com eles na pobre nau Vasco da Gama, que aí está em monumento-caricatura da nossa glória naval... E eu não vi nada disso, vi o Tejo, vi a bandeira portuguesa flutuando com a brisa da manhã, a Torre de Belém ao longo... e sonhei, sonhei que era português, que Portugal era outra vez Portugal.


Tal força deu o prestígio da cena às imagens que aquele versos (1) evocavam!


Senão quando, a nau que salva a uns escaleres que chegam... Era o ministro da Marinha que ia a bordo.


Fechei o livro, acendi o meu charuto e fui tratar das minhas camélias.


 



Os versos a que o autor se refere, são os Lusíadas. E aquele crescendo épico que acaba com um "fui tratar das minhas camélias" é absolutamente hilariante.


 


Entretanto, recordo-me que Cândido de Voltaire termina e de uma forma muito parecida: 



Tudo isto está muito bem dito - respondeu Cândido - mas o que é preciso é cultivar o nosso jardim.



 


 

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