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My Books News

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Julgar o livro pelo/a autor/a

O post tinha já alguns dias, tentei ignorá-lo, mas quanto mais ignorava mais me sentia cúmplice do crime e da criminosa. Não queria estragar o prazer da leitura, mas quando começam a saltar da apreciação do livro para os elogios à autora, é impossível ficar em silêncio. 


 


Na verdade, não interessa quem era, não somos omniscientes e omnipresentes, sequer perfeitos/as para poder julgar livro e autor/a de uma penada só. A autora em questão já não é viva e não lucrará com as vendas desses livros. Menos ainda, de vender uma imagem de rectidão moral que não possui. 


 


Sempre tive esse problema: não consigo dissociar a obra dos autores.


 


Há os simplesmente idiotas e isso vai-se ignorando (dependendo do nível de idiotice, claro). Há aqueles que estiveram no lado errado da história, não se podendo sequer falar de culpa.


 


Há um autor cujos livros adoro e devoro. Porém, como pessoa praticou actos censuráveis, ligados aos processos de saneamento no pós-25 de Abril. Quando pego nos seus livros, sinto sempre uma certa dissonância, como se fosse de alguma forma culpada por perdoar aos livros o seu autor. 


 


Depois, há actos que são tão graves que é impossível ler o livro, sem que o autor e o que fez nos venha à memória. É como se cada palavra tivesse um outro sentido. Um/a autor/a assim mata o livro.