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My Books News

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Flores - Afonso Cruz

Depois de ter lido o post da Cláudia, ali estava ele, na biblioteca a chamar por mim. Não resisti. 


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A história é deliciosa. Um senhor idoso, o Sr. Ulme, perdeu as suas memórias de infância e o seu vizinho decide ajuda-lo, procurando as pessoas que o conheciam. Esse vizinho (que gostaria de se chamar Kevin), procura a vida do Sr. Ulme, enquanto vai abandonando a sua: um casamento à beira do precipício, uma relação extraconjugal e uma rotina diária vazia de prazeres. Acreditem que não estou a saber fazer jus à história. 


Afonso Cruz consegue montar e desmontar a vivência humana de uma forma surpreendente e cativante. Li a primeira página depois do jantar e só parei na última. 


 



Porque viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias.



 


Não sei se por ter acabado de ler os Cadernos de Lanzarote (I), mas Afonso Cruz evoca-me Saramago. Não me refiro a uma qualquer análise literária (sobre a qual nada sei), mas a uma musicalidade ao ler um e outro. Ler Afonso Cruz é como estar com um dedo em riste a percorrer uma pauta musical imaginária. 


 


Outro paralelismo é sentido na acutilante crítica social/política, evidências que também este estaria muito bem num parlamento de escritores.


 


Concluo assim que a literatura contemporânea portuguesa vai bem e recomenda-se.