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My Books News

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Fanny Owen - Agustina Bessa-Luís

Fanny Owen foi um livro encomendado por Manoel de Oliveira a Agustina Bessa-Luís e seria a base para o seu filme Francisca.


 


Baseado em factos reais, retrata a sociedade em que se movimentou Camilo Castelo Branco, que francamente se comportou como um traste. Desde o início do livro que sabemos que o triângulo (?) entre Camilo, José Augusto e Fanny vão terminar em morte (como convém a um folhetim de Camilo).


 


José Augusto namora Maria (irmã de Fanny) que parece relegada à posição de mulher à espera de marido: Agora parecia-lhe dissimulada e disposta a roubar-lhe, não exactamente o amor dum homem, mas os prazeres que por esse meio lhe eram facultados.


 


E José Augusto parece entretido até ver o amigo Camilo Castelo Branco a trocar cartas com Fanny e a partir desse momento, esta passa a ser o objecto de disputa entre dois homens, sem que se possa dizer que é por eles amada:



- Sou, por acaso, um aleijão? Achas que não posso amar Fanny? Pois vou despertar nela um amor imenso; um amor reprovado por mim, excitado pela minha própria severidade. Prometer, submeter, dar esperança... Alimentar o desejo para estudar as consequências da insaciedade. Roçar-lhe a testa com um beijo e depois passar sem lhe tocar, fixando-a com um olhar profundo e austero. Semear ilusões e recolher vergonha, humilhação e culpa. Produzir um anjo na plenitude do martírio. (José Augusto)


 


Era ridícula aquela manobra em volta duma rapariga sempre contristada e sonolenta, e que, deveras, não lhe interessava. Mas, depois de trocar umas palavras com José Augusto, em tom ansioso e quase demente, tudo se transformava. Achava Fanny arrebatadora, queria acorrentá-la com o mais forte dos laços, que não era decerto o de amante.


 



Na verdade, a história não é de um triângulo amoroso, mas de uma competição pérfida entre dois homens.


 


O discurso de Agustina Bessa-Luís não é propriamente fácil de ler, carregado que está de discurso filosófico que me obrigou a reler várias páginas. Foi o meu primeiro livro da autora e embora não me deslumbrado, deixou-me curiosa para tentar outras obras, entre as quais, Síbila.