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My Books News

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Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 4 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros).


 


As primeiras páginas do Moby Dick são sem dúvida muito divertidas. A forma como nos é apresentado Queequeg é absolutamente hilariante. Este canibal de coração generoso e superior em arte da caça à baleia (como demonstra o capítulo em que é negociado o salário de Queequeg e Ismael) e a sua relação com Ismael são, no fundo, uma lição de multiculturalismo e respeito pelo próximo. 


queequeg.jpg 


Imagem


 


Mas o bom sentido de humor é assombrado pelas constantes referências a um sentimento de fatalismo e de mau presságio que vai assolando Ismael, desde os nomes das estalagens à inegável ironia do nome do estalageiro: Peter Coffin, que se traduziria de Pedro Caixão. 


 


Na verdade, é raro o capítulo em que não encontramos uma referência ao augúrio que está reservado ao Pequod: durante o longo período em que o predestinado Pequod tinha navegado durante esta viagem..


 


Esse fatalismo surge muito associado á religião e é constante até ao trágico final. Desde o diálogo interno de Ismael quando confrontado com as práticas religiosas de Queequeg, até (eu diria) ao fantástico diálogo final entre Ahab e Starbuck, ficamos quase com pena de Ahab, por ser puxado por forças invisíveis para o que se seguiria:


 



- O que é isso, que coisa sem nome, inescrutável, sobrenatural; quão dissimulado e enganador senhor, e imperador cruel e sem remorços me domina? De tal modo que contra naturais afectos e desejos, eu continuo a sentir-me empurrado, e superpovoado e compelido em todos os momentos. Sem remorsos, preparando-me para fazer o que no meu próprio e natural coração eu não me atrvo sequer a atrever. Será Ahab, Ahab? Sou eu, Deus, ou quem é, que levanta este braço? Mas se o Sol não se move por si próprio, mas é como um moço de recados nos céus; nem uma única estrela consegue seguir uma órbita circular, se não por algum poder invisível, como pode este pequeno coração bater, como pode este pequeno cérebro ter pensamentos; a não ser que seja Deus quem bata esse coração, que pensa esses pensamentos, que viva essa vida, e não eu.



(capítulo 132)