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My Books News

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Abril é mês da liberdade

Celebro sempre o 25 de Abril com esperança. Renovo-a. Tento. 


 


De entre os meus objectivos: ler mulheres e ler da minha estante, decidi recolher os livros que traduzissem liberdade ou a falta dela.


Melhor dizendo, a minha liberdade manifesta-se na possibilidade  de ler estes livros - há quem não a tenha.


 


Vítimas de Salazar - Estado Novo e Violência Política


João Madeira, Coordenador - Irene F. Pimentel, Luís Farinha


A história recente da ditadura portuguesa está tão mal tratada que é uma verdadeira ofensa para as suas vítimas. É um branquear daquilo porque passaram. Quando ouço "no tempo de Salazar..." começo a ver vermelho; os argumentos são ignorantes e mentirosos, mas ignorantes e mentirosos não são muito permeáveis à verdade e à justiça, só conhecem a teimosia de terem razão.


Mas este livro não é apenas de história. Quando ouvimos a defesa da tortura no combate ao terrorismo, sabemos que a história se repete e os argumentos são os mesmos que Salazar adoptou:



ao serviço da qual - "isto é: a ordem, do interesse comum e da justiça para todos" - se podia e devia "usar a força, que realizava, neste caso, a legítima defesa da Pátria" 



Há várias linhas que separam a humanidade da desumanidade e a tortura é uma delas.


 


O Cônsul Desobediente


Sónia Louro


Romance histórico sobre a vida de Aristide Sousa Mendes, um herói português que ousou desafiar Salazar para salvar a vida de 30 000 refugiados. Um exemplo da essência da humanidade. 


 


A jóia de Medina


Sherry Jones


Romance histórico sobre A’isha, uma das mulheres do profeta Maomé. Um livro que a Porto Editora desistiu de publicar. O argumento utilizado foi a pobreza literária, mas acredito (até porque, o confronto com o catálogo da Porto Editora o prova) que a realidade estará mais próxima das ameaças por fundamentalistas islâmicos, que levaram a que a Random House decidisse não o publicar. Sim, a mesma Random House que viria a enriquecer com as Cinquenta Sombras de Grey. 


Argumenta-se ainda que o romance histórico não reproduz fielmente a Arábia pré-islamita. Romances históricos com erros de história? Blasfémia! 


Por tudo isto, assim que a Casa das Letras/Leya teve a coragem de o publicar, eu comprei-o. Como ponto de honra. 


 


Harry Potter e a Pedra Filosofal


Não imaginariam que este livro estivesse neste molhe, pois não? Mas a verdade se trata de um livro, que grupos religiosos, nos EUA, tentaram banir. O argumento é que incitaria crianças à prática de magia, paganismo, etc. A tentação para dizer "aqueles americanos são todos doidos" é muita. E deixei-me levar por ela até saber que estão a ser celebradas missas em aulas de escolas públicas portuguesas.


Impor uma religião é um traço característico de ditaduras e a complacência com os seus primeiros sinais não é de todo aconselhável.