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My Books News

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A vida imortal de Henrietta Lacks


O melhor livros de não ficção que li até hoje. Ponto final. 


 


As células humanas normais "dividem-se apenas um número finito de vezes, depois param de crescer e começam a morrer." O número de vezes que se podem dividir é específico (cerca de 50 vezes) e chama-se "limite de Hayflick". Mais, existe "uma cadeia de ADN no final de cada cromossoma, chamada telómero, que se encurtava um pouco a cada divisão celular (...) param então de se dividir e começam a morrer". A nível celular, é assim o envelhecimento.


 


As células cancerosas de Henrietta Lacks nunca envelhecem e nunca morrem. Dividem-se sem limites e por isso são imortais.


 


No Hospital John Hopkins foram recolhidas células a Henrietta Lacks sem a sua autorização. Depois, multiplicadas e comercializadas aos milhões. Essa é a história e da sua família, que viveu com a descoberta e com a exposição. Uma família tão pobre que raciona medicamentos para os poupar e não tem dinheiro para consultas médicas. Mais, que foi testada sem o seu consentimento e que vivia na ignorância de compreender o significado de haverem "células vivas", partes da sua mãe... algures.



Deborah não conseguia deixar de se preocupar. Estava aterrorizada por poder ter cancro, e consumida com a ideia de que os investigadores haviam feito - e talvez continuassem a fazer - coisas horríveis à sua mãe. (...) Deborah começou a interrogar-se se, em vez de testarem os filhos Lacks à procura de cancro, eles estariam de facto a injectá-los com o mesmo sangue mau que provocara a morte da mãe.


 


...) sempre pensei que era estranho, se as células da nossa mãe fizeram tanta coisa pela medicina, porque razão a família dela nem sequer tem dinheiro para ir ao médico? Não faz sentido. As pessoas ficaram ricas à conta da minha mãe sem que nós soubéssemos que lhe tinham tirado as células, e agora não vemos um tostão. Costumava ficar tão zangada com isso que adoeci e tive de tomar comprimidos. Mas já não tenho forças para lutar. Só quero saber quem foi a minha mãe. 


 



Mas é também um livro sobre as experiências e aberrações médicas sem o conhecimento dos pacientes, em especial nas comunidades negra, prisional e indigentes:



A pesquisa fazia parte de um estudo para examinar métodos de redução de chumbo, e todas as famílias envolvidas eram negras. Os investigadores tinham tratado várias casas em graus variáveis, depois haviam encorajado os senhorios a arrendá-las a famílias com crianças para poderem monitorizar os níveis de chumbo nas crianças.


 


Quando precisou de comprar óculos, deixou que os investigadores o infectassem com malária para estudar um novo medicamento.


 



Fiquei a conhecer estas e outras experiências (como o estudo de Tuskegee).


 


É uma leitura que recomendo vivamente. 


 


Já agora, para continuar a ler sobre o livro e Henrietta Lacks, encontrei este artigo do NY Times.


 


 


 


 


 

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