Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

My Books News

My Books News

A rapariga que roubava livros

A política contraditória de 


Alex Steiner


Ponto um: Ele é um membro do Partido Nazi, mas não odiava os judeus, nem ninguém, a bem dizer.


Ponto dois: Secretamente, contudo, não conseguia deixar de sentir uma percentagem de alívio (ou pior - satisfação!) quando os proprietários de lojas de judeus foram afastados do negócio - a propaganda informa-o de que era apenas uma questão de tempo até surgir uma praga de alfaiates judeus e lhe roubar a clientela.


Ponto três: mais significaria isso que eles tinham de ser totalmente exorcizados?


Ponto quatro: A sua família. Era indiscutível que ele tinha de fazer tudo que pudesse para a sustentar. Se isso significava ser do partido, pois significava ser do partido.


Ponto cinco: Algures, lá muito no fundo, sentia um prurido no coração, mas decidira não o coçar. Tinha medo do que lá poderia escapar-se.


 


Capture.JPG


 


Liesel vive com os seus pais adoptivos numa pequena cidade alemã num dos mais negros períodos da nossa história: 2ª Grande Guerra Mundial, fortemente marcado pelo medo, a suspeição, a fome e a morte. E já agora, a Morte, já que é ela a narradora desta história. 


Os pais adoptivos de Liesel são Hans e Rose, que acolhem Liesel, a filha de comunistas (igualmente alvos do nazismo) e Max, um jovem judeu. Sempre achei que é na adversidade que se conhecem os heróis mais improváveis. Aqueles que são heróis no silêncio e para quem não haverá medalhas. 


Acompanhamos Liesel enquanto esta aprende a ler e a confiar no seu pai adoptivo e claro, vamos com ela quando se torna uma ladra de livros.


 


E mais não vos conto porque também não sei. Fui espreitar o número de páginas (estou na pg. 232) e acidentalmente li um título verdadeiramente assustador. Pobre Liesel. 


 


Achei as primeiras 50 páginas do livro francamente maçadoras. Mas eis que na página 54 me deparo com a citação que vos deixo. É um momento de magnífica lucidez sobre o que a vida de uma pessoa "normal" levada a participar numa monstruosidade colectiva. 


 


E para os judeus sobreviventes:


Ele queria ir-se embora - céus como queria (ou pelo menos queria querer) - mas sabia que o não faria. Assemelhava-se à maneira como deixara a sua família em Stuttgart, sob um véu de lealdade fabricada.


Para viver.


Viver era viver.


O preço era a culpa e a vergonha.

Mais sobre mim

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

SCRIBD - 1 mês grátis para mim e 2 para vós

Se decidirem fazer uma inscrição grátis no SCRIBD, poderiam utilizar o meu convite? Eu receberei 1 mês grátis e a/o convidada/o receberá 2 meses grátis, em vez dos habituais 30 dias grátis.https://www.scribd.com/g/62ck8b