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My Books News

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A Infanta Rebelde, Raquel Ochoa

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Como já havia referido, já andava para ler a autora que venceu o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís (não foi com esta obra).


Quando li que esta Infanta Rebelde, Dona Maria Adelaide de Bragança, viveu duas guerras mundiais, participou activamente na resistência contra os nazis, foi duas vezes presa e por duas vezes condenada à morte... está explicado porque peguei no livro, certo?


Aparece dentro do género "memórias e testemunhos" (não ficção), mas pareceu-me que era muito romanceada. 


 


Dona Maria Adelaide de Bragança foi uma mulher absolutamente fascinante. O seu avó era D. Miguel, o absolutista, que aprendemos estar do lado errado da história.


Nestas memórias, naturalmente que não é essa a versão. Mas a história é sempre escrita pelos vencedores, e quando é escrita pelos vencidos, terá necessariamente uma diferente perspectiva, pelo que também é preciso algum espírito crítico. 


No exílio, esta precoce maria rapaz apesar de algum luxo (empregados, tutores), também viveu a fome que não poupou muitos na primeira guerra mundial. Como tinha 4 anos e era catita, recebia sempre de alguém algo, mas o mesmo não acontecia com o seu irmão, um pouco mais velho, que era a sua companhia de travessuras, mas a quem o orgulho e alguma sensatez já obrigava a recusar. A irmã recorda os seus ralhetes, instanto-a a recusar o que faria falta a outros. 


As brincadeiras destes miúdos, são hilariantes. Imaginem duas crianças a conseguir mudar o ponteiro do relógio da torre da igreja em 20 minutos e depois ver o padre perplexo pelo atraso das pessoas à missa.


 


Mas é no período em que trabalhou na resistência anti-nazi, que a menina se faz uma mulher de garra. Primeiro é condenada à morte pelos nazis e depois pelos russos que os vencem. Da primeira condenação, é salva por Salazar (além de outros membros da família) e da última pelo seu próprio engenho. 


 


Quando consegue chegar a Portugal, não só envereda por obras sociais como consegue indispor Salazar ao opor-se ao Antigo Regime. Aliás, as ligações entre a família real e o ditador terão sido algo complexas, entre a oposição de quem sabia o que era uma ditadura e a gratidão por quem lhe salvou a vida.


 


Uma pessoa sobre a qual gostaria imenso de ler mais é Maria Teresa de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg, a mãe da infante, descrita como alguém de uma extraordinária generosidade para com os outros, especialmente durante os períodos da fome.


 


Em muitos momento senti que faltava alguma fluidez no texto, nomeadamente ligando diferentes momentos, quando tentava intercalar as memórias com a história da família real, porém foi uma leitura muito agradável. 


 


Dona Maria Adelaide de Bragança morreu em 2012 com 100 anos. Até ao livro de Rachel Ochoa, nunca tinha ouvido falar dela. É este o poder dos livros.


 



 

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