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A correspondência de Fradique Mendes, de Eça de Queiróz

Uma nação só vive porque pensa.

 

Peguei em A correspondência de Fradique Mendes, de Eça de Queiróz porque queria ler da estante o Nação Crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes, de Agualusa.

 

Ora, não ia começar o segundo, sem ler o primeiro, uma obra póstuma de Eça de Queiróz.

 

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Foi aí que descobri que Fradique Mendes surgiu primeiramente como um heterónimo colectivo de alguns dos escritores do grupo Cenáculo, tertúlia literária composta por nomes como Antero de Quental, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga, entre outros.

 

Começaram a publicar a sua personagem fictícia como sendo um poeta aventureiro, viajado e incrivelmente culto. 

 

Para esta personagem, foi criada uma biografia, interacções com o personalidades de relevo nacional e até um corpo de obra.

Mais, foram ao pormenor de inventar autores a serem citados. Tudo para enganar a "burguesia literata" que "tão entusiasticamente (...) procurou nas livrarias os poetas nórdicos que Fradique representava". (1)

 

Eça continuou sempre a alimentar a personagem e é assim que nos chega A correspondência de Fradique Mendes, primeiro com uma parte em que este é descrito pelo narrador que com ele privou:

A minha intimidade com Fradique Mendes começou em 1880, em paris, pela Páscoa, - justamente na semana em que ele regressara da sua viagem à África Austral.

 

Ora, Nação Crioula de Agualusa contém precisamente cartas que respeitariam a essa viagem, misturando factos e ficção sobre a luta pela abolição da escravatura.

 

Mas voltando à A correspondência de Fradique Mendes, a obra é então composta de duas partes, a descrição de um narrador, que admira profundamente Fradique Mendes e depois as cartas propriamente ditas, que estariam a ser publicadas pelo narrador, após a morte de Fradique, para dar merecido reconhecimento público ao génio.

 

O início da obra e Fradique Mendes, faz-me recordar das personagens de A cidade e as Serras, em ambos, um ser perfeitamente elevado, mas em constante necessidade de novidade, encontrando alguma paz na vida rural. Também em ambos, um narrador de uma personagem adorada, numa espécie de broromance.

 

Carta a carta, Eça vai oferecendo uma crítica acutilante da sociedade em geral, seja a religiosa, burguesa, jornalística, política... em suma, atira em todas as direcções, com uma contemporaneidade que chega a ser assustadora.

 

(...) todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente, do penoso trabalho de verificar. É com impressões fluídas que formamos as nossas maciças conclusões. Para julgar em política o facto mais complexo, largamente nos contentamos com um boato, mal escutado a uma esquina, numa manhã de vento.

 

Que delícia que é, voltar ao mundo de Eça de Queiróz.

 

(1) Helena Cidade Moura, em nota final à edição dos Livros Brasil

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