Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

My Books News

My Books News

Curtas literárias 14.06.2019

1.

Venho da biblioteca de Matosinhos onde levantei um livro de um dos seus pólos, sem que alguma vez lá pusesse os pés. Bastou-me ter pedido e aguardado o telefonema de que já poderia levantar.

 

Já na biblioteca municipal do Porto, consultei uma trilogia (YA/fantasia, para uma conhecida) que, apesar de ser recente, só pode ser lida localmente. Se conseguia compreender essa regra para obras esgotadas ou raras, já não se compreende para um catálogo recente.

No distrito do Porto, é a única biblioteca com essas obras, mas a verdade é que estão como se não existissem para o público. Quem vai ler uma trilogia com mais de 1000 páginas para uma biblioteca? Quem tem esse tempo, ainda mais em horário de expediente?

 

2.

Decidi doar o meu exemplar da Sigrid Undset à biblioteca. Pelo menos, podem intercalar as duas edições em português (vol. 1 e 3) com a inglesa. Merece a biblioteca e merece a obra.

 

3.

Hoje aprendi que foi a Maria Alberta Meneres que inventou o conceito do Pirilampo Mágico. Não fazia ideia.

 

 

4.

O mundo da editoras, depois de mais um caso, volta a discutir as responsabilidades destas no conteúdo de livros de não ficção.

Gostei da resposta do responsável da Virago, quando confrontada com um erro grave numa das suas edições:

Wolf’s UK publisher Virago confirmed on Friday that their edition would remain on sale. “Though the book received excellent reviews it also attracted criticism,” it said, adding that any necessary corrections would be made to future reprints.

 

É caso para dizer: em equipa que vende, não se mexe. Rigor histórico? Isso são pormenores.

 

 

5.

Outras leituras:

'Highly concerning': picture books bias worsens as female characters stay silent [The Guardian Books]:

Only 11 characters of colour were given speaking parts across all the 100 books and just 79 female characters mentioned in the texts also spoke, compared with 149 male characters. Speaking roles for male characters rose by 19% over the previous year, while one in five bestsellers did not feature any females at all.

 

Para terminar numa nota positiva:

Gallopin’ Gorgons! People Waited 10 Hours For Universal’s New Harry Potter Ride

Qualquer dia vai ser assim para entrar na Lello.

Kristin Lavransdatter - Sigrid Undset

IMG_20190613_092644_152.jpg

Hoje, madrugada dentro, terminei a trilogia de Kristin Lavransdatter (Coroa, Esposa, Cruz), de Sigrid Undset (1882-1949), a segunda mulher a vencer o prémio Nobel da Literatura (1928).

Não tenho qualquer vergonha em dizer que foi em lágrimas que me fui despedindo de cada uma das personagens que acompanhei durante mais de 1200 páginas.

 

A trilogia de Kristin Lavransdatter é uma das mais magníficas obras literárias que já li. Pareceu-me que estava a combinar num só, duas séries igualmente magníficas: Gilead de Marilynne Robinson e Wolf Hall de Hilary Mantel.

 

A história de Kristin Lavransdatter é também a dos inícios do séc. XIV em que a Noruega e Suécia viviam tempos conturbados de disputas entre aristocratas, pelo poder de dois reinos, que ou tinham reis menores ou que morriam sem descendentes. Tempos de grande poder da Igreja Católica no dia-a-dia de todos, mas também de povos que nos piores momentos das suas vidas, recorriam às religiões pagãs dos seus antepassados.

 

A trilogia começa com Kristin Lavransdatter com 7 anos, filha única de um casal de senhores feudais, que é adorada pelo pai e que vive uma relação conturbada com a mãe, que dela tem ciúmes da relação dos dois. Ainda em criança é acordado o seu casamento com Simão, um jovem que o pai considerou um bom partido, mas esta apaixona-se por outro homem e tudo faz para casar com este, questionando todo um sistema de valores patriarcais e clericais.

 

Aliás, a componente religiosa e moral é fortíssima em Kristin Lavransdatter, fruto da conversão de Sifrig Undset à Igreja Católica em 1924, com 42 anos.

 

Durante mais dois volumes, acompanhamos a vida de Kristin Lavransdatter, do seu marido, filhos e um incrível leque de personagens ricas e construídas minuciosamente, página a página. É impossível não nos apaixonar-mos por elas.

 

É lamentável que não haja mais que uma edição portuguesa esgotada e em depósitos de bibliotecas, muitas que não permitem leituras domiciliares desses volumes.

 

Pelas minhas contas, a autora entrou no domínio público em 2019. Espero que isso leve as editoras a republicá-la. Eu não hesitaria em comprar.