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My Books News

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Amor de Perdição,de Camilo Castelo Branco

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Desde que descobri que havia um Amor de Salvação, que estava determinada a lê-lo. Porém teria sempre de ser precedido de uma releitura de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco


 


O meu objectivo era perceber como leria Amor de Perdição, como adulta, depois de ter sido obrigada a lê-lo na escola e ter apenas retido a expressão "de faca e alguidar", em relação ao seu autor e que este seria o expoente máximo do romantismo. 


 


A minha edição tinha três documentos prévios ao romance e que achei particularmente interessantes.


 


 


Primeiro, uma carta de Camilo, do tempo da primeira publicação (1861), quando preso na Cadeia da Relação e que é pura graxa a um ministro. Também Camilo foi preso "por amor" e como tal, nada como um romance a idealizar o carácter da personagem condenada, para granjear simpatia para a sua situação.


 


Depois, um prefácio à 5ª edição, em 1879, em que faz uma crítica jocosa da obra: 



Dizem, porém, que o Amor de Perdição fez chorar. Mau foi isso. Mas agora, como indemnização, faz rir: tornou-se cómico pela seriedade antiga, pelo raposinho que lhe deixou o ranço das velhas histórias do Trancoso e do padre Teodoro de Almeida. E por isso mesmo se reimprime. O bom senso público relê isto, compara com aquilo, e vinga-se barrufando com frouxos de riso realista as páginas que há dez anos aljofarava com lágrimas românticas.


 


Faz-me tristeza pensar eu que floresci nesta futilidade da novela quando as dores da alma podiam ser descritas sem grande desaire da gramática e da decência. Usava-se então a retórica de preferência ao calão. O escritor antepunha a frequência de Quintiliano à do Colete encarnado. A gente imaginava que os alcouces não abriam gabinetes de leitura e artes correlativas. Ai! quem me dera ter antes desabrochado hoje com os punhos arregaçados para espremer o pus de muitas escrófulas à face do leitor! Naquele tempo, enflorava-se a pústula; agora, a carne com vareja pendura-se na escápula e vende-se bem, porque muita gente não desgosta de se narcisar num espelho fiel.



 


Mas esperem... 


 



Se, por virtude da metempsicose, eu reaparecer na sociedade do século XXI, talvez me regozije de ver outra vez as lágrimas em moda nos braços da retórica, e esta 5.a edição do Amor de Perdição quase esgotada.



 


Finalmente, um prefácio à 2ª edição em que explica que é a história do seu tio paterno: Simão António Botelho.


 


A história


 


Tivesse sido escrito hoje, teriam acusado Camilo de plagiar o Romeu e Julieta: duas famílias que se odeiam, as jovens crias  apaixonadas (18 e 16 anos de idade), os amores negados, um familiar que morre, pais com sede de vingança, facilitadores da relação... está tudo cá. 


 


Eu não quero introduzir aqui spoillers, mas estamos no período literário do romantismo, em que o amor é a perdição, e Camilo Castelo Branco é o expoente máximo do romantismo. Percebem agora o faca e alguidar?  


 


Eu, leitora


 


Não posso dizer que adorei porque seria mentira. Na verdade, retirei mais prazer dos documentos iniciais e de uma secção auto biográfica sobre a prisão, que toda a história de Simão e Teresa que, apesar de tudo, gostei de ler. 


 


Gostei, acima de tudo de poder reler a obra e ver o autor por uma lente bastante diversa da que tinha, confesso. Ultrapassei o "autor chato" e reconheci o autor do seu período.


Avançarei para O Amor de Salvação, não me esquecendo que me recomendaram que não me esquecesse de ler A queda de um anjo. Fica ainda no meu radar a leitura de Memórias de um Cárcare. 


 


 


Como referi anteriormente, há um trecho que gostei particularmente e que publico infra. Contém spoillers, fica a advertência.


 


 



 

Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner #2

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O jantar do Bispo é o primeiro dos contos exemplares e é também o meu preferido. Neste conto, vemos um bispo dividido entre as diversas forças que regem o mundo ricos/pobres, bem/mal, deus/diabo.


 


Com personagens a quem não é dado nome - Dono da Casa, Dona da Casa, Bispo,  Abade de Varzim, Homem Importantíssimo - convivem as menos “importantes” - Pedro, o primo empobrecido do Dono da Casa, João, o filho do Dono da Casa, a cozinheira Gertrudes. É como se os poderosos não necessitassem de um nome de batismo, o seu poder basta-lhes.





Não é assim, no dia-a-dia? Quantos não referem ser tratados pelo seu título? Os doutores, os engenheiros. Como se isso fosse a sua identidade.


 


Este conto é exemplar na sua mensagem moralista. Esse é o objectivo. Mas é também um conto com uma primorosa escrita.


 


Nas vertentes cavadas em socalco crescia a vinha. Era ali a terra pobre donde nasce o bom vinho. Quanto mais pobre é a terra, mais rico é o vinho. O vinho onde, como num poema, ficam guardados o sabor das flores e da terra, o gelo do Inverno, a doçura da Primavera e o fogo dos Estios. E dizia-se que o vinho daquelas encostas, como um bom poema, nunca envelhecia.





A história começa assim: o Dono da Casa não gosta do  Abade de Varzim, homem mais voltado para os pobres que para os ricos. Deseja afastá-lo e para isso convidou, entre outros, o Bispo para um jantar, onde lhe iria apresentar as suas razões. Ora, o Bispo precisa de dinheiro para o telhado de uma Igreja e por isso, comparece com a intenção de pedir dinheiro ao Dono da Casa. Cederá o Bispo aos desmandos do Dono da Casa? 


 


 


A leitura partilhada de Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner, está a ser feita no Clube dos Clássicos Vivos, entre Julho e Agosto.


 

Curtas literárias 10.07.2018

1.


Lidos


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Queria continuar com o segundo calhamaço que planeava ler este mês - Pensar, Depressa e Devagar - mas continua emprestado a outro/a leitor/a da minha biblioteca. Por cortesia, não reservo, porque isso iria impedir a renovação da outra pessoa. 


 


Por isso, requisitei estes calhamaços: 


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Armas, Germes e Aço, Jared Diamond - Uma obra de não ficção que há muito queria ler. Vencedor do Prémio Pulitzer (1998), percorre a história da humanidade para "perceber como certos povos conseguiram invadir outros continentes e conquistar ou desalojar os seus habitantes".


 


 O tempo entre costuras, María Duenas - Quando comecei a aprender a costurar, esta capa apareceu numa qualquer estante e por alguma razão, sempre o quis ler. Uma jovem modista tornada espia durante a 2ª GGM, entre Madrid, Tânger e Tetuán? Parece-me um romance perfeito para viajar.


 


O livro do desassossego, Fernando Pessoa - É daqueles livros que se diz que não é para ler, é para se ir lendo. Até ter o meu exemplar, vou lendo aos poucos esta edição da minha biblioteca.


 


2.


Entrevistas


 


Germano Almeida: É publicado em Portugal há 30 anos mas os seus livros vendem pouco mais de 100 exemplares. Este ano o prémio Camões veio dizer que há África para lá de Agualusa e Mia Couto. [Observador]


 



É preciso relativizar a bajulação. Os leitores dão muita corda aos escritores e eles tornam-se uns bazófias. A única forma de contornar isso é relativizando os elogios. Ou então perguntar: mas gostou porquê? E aí as pessoas não conseguem explicar, porque têm falta de sentido crítico. Faz muita falta ensinar às pessoas o sentido crítico.


 



Diversas autoras (seguir links)


I Talked to 39 Women Who Write Nonfiction, and Here’s What I’ve Learned [Electric Literature]


 


 


3.


Outras leituras


Where Are You? - Joyce Carol Oates [The New Yorker]

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