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My Books News

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Personagens que perduram

LiteraryFriction · Literary Friction - Minisode Thirteen
 
 
 
Há personagens que ficam connosco ao longo dos tempos. O porquê, é geralmente um mistério.
 
 
Eu recordo-me frequentemente de Chico Bento, uma personagem de O Quinze, de Rachel de Queiroz, pela imagem de uma pobreza absolutamente devastadora.
 
Aliás, nas últimas semanas, tenho pensado muito nesta descrição. Quantas pessoas não estarão na pobreza, com fome, por causa da pandemia?
 

 

Também penso frequentemente em Jacinto, uma personagem encantadora, pela sua ingenuidade, que se deixou render pela bucólica vida das serras (uma poesia pastoral que está quase sempre reservada para pessoas de posses), onde viria a encontrar a felicidade.

Sonho frequentemente com isso: mudar-me para uma qualquer serra. Viver com umas galinhas e com os meus livros.

 

Outra personagem (real) que também nunca esqueci, é Débora, a filha de Henrietta Lacks (A vida imortal de Henrietta Lacks),  marcada pela ausência de uma mãe sempre presente e pela injustiça do que esta representava:

(...) sempre pensei que era estranho, se as células da nossa mãe fizeram tanta coisa pela medicina, porque razão a família dela nem sequer tem dinheiro para ir ao médico? Não faz sentido. As pessoas ficaram ricas à conta da minha mãe sem que nós soubéssemos que lhe tinham tirado as células, e agora não vemos um tostão. Costumava ficar tão zangada com isso que adoeci e tive de tomar comprimidos. Mas já não tenho forças para lutar. Só quero saber quem foi a minha mãe.

 

Em suma, concluo que as personagens não permanecem comigo tanto pelo que são, mas pelos momentos marcantes que representam: o desespero da pobreza e a fome que tanto me assustam e causam compaixão; o deixar tudo para encontrar a felicidade num outro mundo; a injustiça e o amor filial.

 

 

Fora das estantes

Tenho ouvido:

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Um dos meus meus podcasts preferidos é o 99% Invisible e o episódio  The Natural Experiment sobre as surpreendentes oportunidades de investigação científica, criadas pela paragem a que o mundo foi forçado pela epidemia, é excelente.

 

Tenho visto:

Em Maio subscrevi uma mensalidade do HBO. Não tenho visto muita coisa, pois só vejo um pouco à noite (pós horário laboral / escolar) e nem sempre há disposição.

A confirmação de que um mês, de tempos a tempos, é suficiente.

E sim, eu salto as partes chatas.

 

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A razão pela qual escolhi a HBO. Motivo nº 1: Helen Mirren. Motivo nº 2: Helen Mirren.

Não é brilhante, mas Helen Mirren. 

 

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Magnífica. Acho muito estranho que tenha tido tão pouco reconhecimento.

 

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Tem momentos vou aqui inserir um diálogo pseudo-filosófico para soar muito inteligente, que temos de engolir, mas é realmente bom.

 

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Fui na onda: é do mesmo escritor de A Favorita. Meh...

Entre a biografia e a ficção

Nos últimos anos temos assistido (parece-me) a um maior destaque das biografias ficcionada (ou ficcionais), aquelas em o/a autor/a utiliza como base a biografia de determinada personagem para construir uma narrativa que é simultaneamente documental e ficcional.

 

Um dos meus exemplos preferidos é o Adoecer de Hélia Correia, que escreve sobre Elizabeth Siddal, a modelo de um quadro magnífico e musa dos pré-rafaelitas.

 

Elizabeth Sidall, que começa como a musa de cabelos vermelhos e invoca toda uma era de pintores vitorianos, é o centro da obra em que vamos seguindo uma verdadeira história da arte, com os pintores e escritores do período vitoriano inglês. 

Felizmente, recentemente tem sido reconhecida como artista e poeta com méritos próprios.

 

 

O outro exemplo, é Fanny Owen de Agustina Bessa-Luís, que cria uma ficção em torno de um triângulo amoroso entre José Augusto (um homem rico*), a formosa Fanny Owen e Camilo Castelo Branco.

O porquê de ser um fantástico exemplo de biografia ficcionada, está reflectido no prefácio da autora que, aliás, eu considero ser o melhor prefácio de todos os tempos:

*É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, em posse de grande fortuna, deve estar procurando uma esposa. - Jane Austen

 

Curiosidades:

Sobre Vila Alice, a casa onde vivia Fanny Owen que se transformou num centro interpretativo.

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