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My Books News

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Livros a comunicar ciência

Ando completamente enamorada do blog da Cristina Nobre Soares sobre comunicar (claramente) ciência.

Ainda por cima, um dos últimos post é sobre Carl Sagan e pronto... pode publicar Carl Sagan diariamente e sou uma mulher feliz.

 

Mas para ser honesta, foi uma troca de impressões com o Um Leitor (ministeriodoslivros.blogs.sapo.pt), que me fez querer partilhar os livros com excelente comunicação de temas científicos, para não cientistas.

 

Nota 1 - A lista infra não inclui Carl Sagan. Assumam que está toda a sua obra. Escolham um tema de entre os seus livros e divirtam-se.

Carl Sagan é, para mim, o melhor comunicador de ciência. Ponto final. Parágrafo.

 

Nota 2 - Apercebi-me agora que, não tenho nenhum dos livros que vos vou recomendar. Façam como eu, utilizem as bibliotecas públicas. Se não tiverem os livros, peçam para vos comprar.

 

 

 

 

 

 

 

A vida imortal de Henrietta Lacks - Rebecca Skoot

Sabem o que são células HeLa? Eu também não sabia até ler este livro.

 

As células humanas normais "dividem-se apenas um número finito de vezes, depois param de crescer e começam a morrer." O número de vezes que se podem dividir é específico (cerca de 50 vezes) e chama-se "limite de Hayflick". Mais, existe "uma cadeia de ADN no final de cada cromossoma, chamada telómero, que se encurtava um pouco a cada divisão celular (...) param então de se dividir e começam a morrer". A nível celular, é assim o envelhecimento.

As células cancerosas de Henrietta Lacks nunca envelhecem e nunca morrem. Dividem-se sem limites e por isso são imortais. Tornaram-se as primeiras células humanas a serem cultivadas em laboratório.

 

Débora, a filha de Henrietta Lacks:

(...) sempre pensei que era estranho, se as células da nossa mãe fizeram tanta coisa pela medicina, porque razão a família dela nem sequer tem dinheiro para ir ao médico? Não faz sentido. As pessoas ficaram ricas à conta da minha mãe sem que nós soubéssemos que lhe tinham tirado as células, e agora não vemos um tostão. Costumava ficar tão zangada com isso que adoeci e tive de tomar comprimidos. Mas já não tenho forças para lutar. Só quero saber quem foi a minha mãe.

 

A ciência (como deve ser) corre, neste livro, paralela à vida. Este livro é também sobre as aberrantes experiências médicas feitas com negros e sobre esta família que viveu à sombra de algo que não sabia existir.

 

Lab Girl - Hope Jahren

 

It's inescapable: at this very moment, within the synapses of your brain, leaves are fueling thoughts of leaves.

 

Lab Girl é um livro de memórias de Hope Jahren, uma jovem cientista que estuda a paleobotânica (estudo de vegetais fósseis) e que nos transmite um amor incondicional pelas plantas e árvores em particular. Na verdade, depois de o ler, sinto que passei a ver, verdadeiramente, as árvores.

O livro alterna memórias com capítulos enciclopédicos sobre plantas e árvores.

É excelente. Ouvi-o há dois anos no Playster* , narrado pela própria e nunca mais o esqueci.

 

A vida secreta dos intestinos - Giulia Enders

Giulia Enders faz precisamente aquilo a que se propõe:

 

Mas eu acrescentaria que faz mais, não é apenas um livro para quem tem problemas de saúde em geral ou intestinos em particular. É um livro para quem deseja, de forma simples, clara e muito bem humorada, aprender sobre como funciona o nosso sistema digestivo e como o ajudar. 

 

A autora recebeu o convite para escrever o livro depois de vencer uma competição, precisamente, de comunicação de ciência - Science Slam.

Como essa sessão foi em alemão, aqui fica a versão inglesa.

 

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Armas, Germes e Aço - Jared Diamond

 

O autor, um geógrafo, apesar de chamar ao livro Armas, Germes e Aço, dá como pressuposto que a sociedades humanas complexas emergem de excedentes alimentares, que por sua vez permitem uma maior densidade populacional e a possibilidade de sustentar pessoas não produtivas de alimentos como artesãos, inventores, militares, chefes... 

 

A história da humanidade é assim repleta de factores que determinaram a evolução de um povo ou a conquista de outro e Diamond utiliza países, zonas ou episódios da nossa história e até a linguística para demonstrar diferenças evolutivas.

 

Jarod Diamond percorre 13 mil anos da nossa evolução para nos demonstrar a importância da domesticação das plantas, dos animais, de como evoluíram e se propagaram sistemas de escrita, do porquê da inovação tecnológica no Japão, entre outras informações chave. Em suma, como chegamos até aqui.

 

Porque o post já vai muito longo, fico-me por aqui. Felizmente não me faltam títulos de bons livros de não ficção.

 

* Surreal. Li numa publicação minha que ouvi num período experimental do serviço Playster.

Juro que não me recordo sequer de este serviço existir. Aproveitem!

Don Winslow

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Após ouvir a sua entrevista ao The Guardian Books podcast, fiquei absolutamente fascinada com  Don Winslow e a forma como descrevia como os temas o assombravam, ao ponto de sentir que tinha de voltar, não só aos temas, mas também às personagens.

 

Don Wislow, a propósito da sua trilogia sobre a guerra às drogas pelos EUA e os cartéis mexicanos, fala de um dever de corrigir vozes ou dar voz a quem não a tem, uma forma de activismo literário (assim o entendo eu).

 

Fala também da dificuldade em encontrar o balanço entre a descrição da violência (negativo) e o impacto (positivo) dessa descrição brutal, esperando que o saldo seja positivo.

O problema é que as descrições são baseadas em factos reais, em violência real e até que ponto seria honesto, da sua parte, não a descrever com fidelidade?

 

E é assim que um autor, até hoje desconhecido para mim, entra no meu radar.

Carl Edward Sagan (09/11/1934 - 20/12/1996)

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Observe o ponto uma vez mais. É aqui. É a nossa casa. Somos nós.
 
Nele vivem ou viveram todas as pessoas que ama, todas as pessoas que conhece, todas as pessoas de que ouviu falar, todos os seres humanos que alguma vez existiram. A conjunção da nossa alegria e do nosso sofrimento, milhares de religiões confiantes, ideologias e doutrinas económicas, todos os caçadores e recolectores, todos os heróis e cobardes, todos os criadores e destruidores da civilização, todos os reis e camponeses, todos os jovens casais apaixonados, todas as mães e pais, crianças esperançadas, inventores e exploradores, todos os professores de moral, todos os políticos corruptos, todas as «superestrelas», todos os «líderes supremos», todos os santos e pecadores da história da nossa espécie viveram lá – numa partícula de poeira suspensa num raio solar.


 

A Terra é um palco muito diminuto na vasta arena cósmica. Pensemos nos rios de sangue vertidos por todos aqueles generais e imperadores para que, em glória e triunfo, pudessem ser momentaneamente os senhores de uma fracção de um ponto. Pensemos nas crueldades intermináveis infligidas aos habitantes de um dos cantos do pixel pelos dificilmente discerníveis habitantes de outro canto, na frequência dos seus desentendimentos, na ânsia de se matarem uns aos outros, no fervor dos seus ódios.


 

A nossa posição, a nossa auto-importância imaginada, a ilusão de que ocupamos um lugar privilegiado no universo são desafiadas por este pequeno ponto de luz clara.
 
O nosso planeta é uma partícula solitária numa imensa escuridão cósmica envolvente. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há nenhum indício que venha a surgir alguma ajuda do exterior para nos salvar de nós próprios."


 

 Carl Sagan, O Ponto Azul-Claro

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