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My Books News

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O Conde de Monte Cristo - entre a realidade e a ficção #2

Entrada no Wikipédia:



Pierre Picaud foi um sapateiro do século XIX, de Nimes, que pode ter sido a base do personagem de Edmond Dantès do romance O conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, pai. 


Em 1807, Picaud  esta noivo de uma mulher rica, mas três amigos ciumentos - Loupian, Solari e Chaubart - falsamente o acusaram de ser um espião para a Inglaterra (um quarto amigo, Allut, sabia de sua conspiração, mas não relatou isso). Ele foi preso na fortaleza de Fenestrelle por sete anos, sem saber porquê, até o segundo ano lá.


Durante sua prisão, ele fez uma pequena passagem para uma cela vizinha e fez amizade com um rico sacerdote italiano chamado Padre Torri, que estava preso lá.


Um ano depois, um Torri moribundo legou a Picaud um tesouro que ele havia escondido em Milão.


Quando Picaud foi libertado, após a queda do governo imperial em 1814, ele tomou posse do tesouro, retornou sob outro nome a Paris e passou 10 anos vingando-se dos seus ex-amigos.


Picaud primeiro assassinou ou mandou matar Chaubart.  


A ex-noiva de Picaud, dois anos depois do seu desaparecimento, casou com seu ex amigo Loupian, que foi sujeito à sua mais brutal vingança.


 Picaud enganou a filha de Loupian a se casar com um criminoso, a quem ele então fez com que fosse preso. A filha de Loupian morreu prontamente de choque. 


Picaud então queimou (ou mandou queimar) o restaurante do Loupian, deixando Loupian  empobrecido.


Em seguida, ele envenenou Solari até a morte e manipulou o filho de Loupian no roubo de jóias de ouro (ou o levou a cometer o crime). O rapaz foi enviado para a prisão, e Picaud esfaqueou o Loupian até a morte. 


Ele também sequestrou Allut e mortou-o.


 


A confissão do leito de morte de Allut constitui a maior parte dos registros policiais franceses do caso. A descrição detalhada das experiências de Picaud na prisão, que não poderia ter sido conhecida por Allut, foi supostamente ditada pelo fantasma do padre Torri. 


 



Nunca mais pensarei no O conde de Monte Cristo, como um relato inverosímel de uma vingança. Na verdade, acho que a proximidade entre a realidade e a ficção o coloca entre as obras "baseadas em factos reais", muito ao jeito do "true crime", tão em voga.


 


 


A história foi inicialmente publicada no Le Diamant et la Vengeance in Mémoires tirés des Archives de la Police de Paris (1838), de Jacques Peuchet. 

As grandes leituras de Fevereiro: Empathy Exams e O Conde de Monte Cristo


Não precisei de muito tempo para devorar aquele livro cuja história julgava conhecer. Se os filmes são preto e branco, a obra de Alexandre Dumas é um arco-íris de personagens, contexto histórico, retrato social e perfil psicológico. Entre uma história de vingança, Alexandre Dumas vai fazer-nos navegar entre a justiça e os danos colaterais desta.


Ao contrário daquele que o inspirou, Dantès não se limitou a matar quem o traiu, levou-os, à auto-destruição. Um a um, foram cavando a própria sepultura, pese embora algumas oportunidades de redenção que vão tendo.  


É uma obra magnífica.


 



Se o primeiro foi devorado, este necessitou de tempo para a digestão. 


É um livro de ensaios brutais sobre as camadas da dor e empatia, desde o mais pessoal (como um aborto, a auto.mutilação ou a anorexia) a algo tão supreendente como ultramaratonas e sobre ultramaratonistas que acabam presos por questões fiscais. Tudo, metáforas para a dor e como a sentimos.


Mas é também sobre o que é ser mulher e como a sociedade nos permite ser mulheres, ou então como nos tentamos encaixar ou fugir dos estereótipos de sentimentalismo. 


 


Já não me recordava de sublinhar tanto um livro. Sei que o irei reler, assim como expandir as leituras paralelas que fui fazendo, porque é um livro que abre portas de entendimento. 


 


Nunca mais deixei de pensar na anorexia como "a inner life... as a sculpture in bone" ou na auto-mutilação como "an attempt to speak and an attempt to learn".


 


Estes vislumbres sobre a dor alheia, fizeram-me compreender muito melhor algumas realidades. E não será isso a empatia?

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