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My Books News

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1984, George Orwell

 


Aqui está um livro que nunca tinha lido. E surge a dúvida: como, alguém que gosta de ler, consegue passar 4 décadas anos sem ler este livro? Bom... consigo explicação plausível para os primeiros 15 anos, depois disso, é um mistério.


 


Advirto já que 1984 é tão bom quanto deprimente. Juro que terminei o livro a querer mudar de ares, para algo leve com um final feliz. 


E não sou apenas eu a considerá-lo deprimente. Já depois de iniciar este post, encontro isto no GoodReads:


1984.JPG


1984 não é fácil, é desconfortável, obriga-nos ao confronto com as nossas convicções, contradições e medos. Obriga-nos a fazer uma auto-avaliação, algo que não sendo fácil, evito com frequência. 


 


Inicialmente, senti que 1984 começava onde nos deixou Fahrenheit 451. Mas 1984 é a ausência da esperança, na verdade mata-a, é o homem como lobo do homem, é a aniquilação da humanidade. 


 


 


Em 1984, o mundo encontra-se dividido 3 super potências, em permanente guerra: Oceânia (américas, ilhas do Atlântico, incluindo as ilhas britânicas, australásia e a parte meridional da África), Lestásia (China, países a sul desta, arquipélago japonês e uma porção da Manchúria, Mongólia e Tibete), Eurásia (de Portugal ao estreito de Bering). 


 


A Oceânia (e as restantes super potências), vivem sob um regime totaliário em que não existem leis mas existe crimepensar e uma política do pensamento. Todos os cidadãos são monotorizados em permanência através de telecrãs que se encontram em todas as casas, em todas as paredes, deixando (?) poucos pontos mortos que permitam privacidade (ou individualidade). E nem as casas de banho eram privadas - O GRANDE IRMÃO ESTÁ A VER-TE!


 


Winston Smith é a personagem principal desta alegoria. Tem como profissão a alteração do passado em todos os documentos, nomeadamente revistas e jornais - se não está escrito, é porque não aconteceu. Cabe-lhe apagar ou reinventar o passado.



como podia alguém estabelecer mesmo o mais óbvio dos factos quanto dele não existiam quaisquer testemunhos além da memória individual?


 



No fundo, é muito parecido com o trabalho dos funcionários do INE, em relação aos números do desemprego:



O trabalho de Winston consistia em rectificar os números originais de forma a fazê-los concordar com os mais recentes.



 


A vivência é de constante privação e fome, como convém para controlar as mentes. Isso é particularmente visível nas classes inferiores, nas proles:



Trabalho físico pesado, a casa e os filhos, as disputas insignificantes com os vizinhos, os filmes, o futebol, a cerveja e acima de tudo, o jogo, preenchiam-lhes os horizontes. Não era difícil controlá-los.


 



No fundo, 



Pode dar-se-lhes toda a liberdade intelectual, porque não têm intelecto. 


 



Tristemente familiar, não é?


 


Há um curioso paralelo entre O Admirável Mundo Novo1984, em ambos, a sexualidade é uma forma de controlo. Se no primeiro a opção é pela promiscuidade de modo a eliminar relações duradouras, no último é a sexualidade é restringida a um método de procriação. 


 


Mas Winston Smith, secretamente odeia o Grande Irmão e sonha com uma rebelião, com uma grande Fraternidade que traga a rebelião e a liberdade.  E para este a esperança está nos proles. 


 



Mas os proles, se de algum modo chegassem à consciência da sua própria força, não precisariam de conspirar. Bastava-lhes erguerem-se e sacudirem-se como um cavalo sacode as moscas. Se quisessem, podiam reduzir o Partido a coisa nenhuma já amanhã. Com certeza, tarde ou cedo, lembrar-se-iam de o fazer... E daí...


 



Para mais, têm mesmo de ler o livro.

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